Retrospectiva literária 2022.1

Neste post, apresento os livros lidos em 2022.1.

Já passamos da metade de 2022 e tenho lido mais que compartilhado as minhas leituras. Como vi algumas pessoas fazendo o post de melhores leituras de 2022.1 ou resumão, decidi pelo resumão, já que não tenho postado aqui com tanta frequência. Desta forma, você já tem um spoiler dos próximos posts.

Então, veja quais foram os livros lidos em 2022 até agora.

Retrospectiva literária 2022.1 alessandra costa
Retrospectiva literária 2022.1

Para ler romances como um especialista

Para ler romances como um especialista do professor de literatura Thomas C. Forster, é o melhor livro de crítica que já li até hoje.

A leitura é muito tranquila e flui bastante. Mas preciso ressaltar que o livro trata especificamente dos elementos do gênero romance e os exemplos são centrados em obras de língua inglesa. Muitos nomes, eu nunca tinha ouvido falar. Isso pode não agradar a algumas pessoas.

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A Divina comédia

A Divina comédia de Dante alighieri é um dos livros mais desafiadores que já li. Levei um pouco mais de três meses para concluir a leitura.

O livro é dividido em três partes: inferno, purgatório e paraíso e conta a jornada de Dante por esses três mundos, guiado, na maior parte, por Virgilio, autor de Eneida, que também li este ano.

A minha dificuldade foi na parte inicial do livro, inferno, embora eu acredite que a dificuldade foi mais devido ao momento pessoal que estava vivendo e por isso, tinha dificuldade para me concentrar.

Mas do purgatório em diante, a leitura foi bem mais tranquila, tanto pelo meu contexto, quanto pelo fato de já estar acostumada aos versos.

Desde o fim da leitura, sigo lendo textos e assistindo vídeos sobre a obra. E quanto mais pesquiso sobre a obra mais incrível ela se torna.

Pretendo compartilhar tudo em um post para ajudar quem também pretende encarar essa jornada que é ler A Divina Comédia.

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Como superar seus limites internos

Já tem post sobre o Como superar seus limites internos, que também foi uma leitura desafiadora. Para saber como foi a minha experiência de leitura e saber mais sobre o livro, confira o post sobre ele.

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Eneida

Eneida, de Virgilio, foi o primeiro livro que li em 2022. Também é em versos, mas mais fácil do que A Divina Comédia. Também já tem post sobre a minha experiência de leitura. Não deixe de conferir!

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Beowulf

Mais um livro incrível que eu li em 2022.1. Ainda não tem post sobre ele, mas pretendo trazer em breve.

Beowulf é um poema épico originalmente escrito em inglês antigo (anglo-saxão) e Tolkien foi professor de literatura inglesa e Beowulf foi uma das obras que ele estudou, traduziu e produziu muito material sobre ela. 

Desde a época da graduação em Letras-Inglês que eu queria ler Beowulf. Na faculdade, li apenas alguns trechos trabalhados pelo professor. Trata-se de um poema importante para a literatura inglesa e é lindo e emocionante. Tentei assistir a uma adaptação, mas não consegui. É bem diferente do livro.

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Teogonia

Teogonia, de Hesíodo, é mais um poema que li este ano. Trata-se de um poema mitológico em 1022 versos hexâmetros escrito no século VIII-VII a.C., e é narrado pelo próprio Hesíodo.

Apesar de curto, o poema tem muita informação e confesso que não gostei tanto. Prefiro o Metamorfoses de Ovídio, que li em 2021.

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Encaixotando minha biblioteca

Encaixotando minha biblioteca foi o primeiro livro do Alberto Manguel que eu li. E me apaixonei pela escrita. Já tem post sobre ele aqui, então, não deixe de conferir, caso ainda não tenha lido.

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Notas para definição de um leitor ideal

Em paralelo a Encaixotando minha biblioteca, também li Notas para definição de um leitor ideal de Alberto Manguel.

Estou devendo post sobre ele, mas é mais um livro incrível para leitores e amantes de livros e bibliotecas. Inclusive, Manguel me deixou muito curiosa para ler Pinóquio, com esse livro. 

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Rumos da literatura inglesa

Rumos da literatura inglesa de Maria Elisa Cevasco e Valter Lellis Siqueira é outro livro que estava no meu radar desde a faculdade. Na época li alguns trechos sobre obras que estávamos estudando.

O livro é curto, mas rico em conteúdo. A leitura é tranquila e traz um panorama da literatura inglesa, mas sem aprofundar muito, ou seja, traz apenas o que é essencial. 

É um livro da série Principios da editora Ática, que gosto muito. Infelizmente, o livroe stá esgotado, assim como os demais da série.

Paris é uma festa

Aqui no blog já tem post sobre Paris é uma festa de Ernest Hemingway. Então, para saber como foi a minha experiência de leitura, não deixe de conferir o post.

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Como ler literatura, de Terry Eagleton

O nome do livro já é bem sugestivo. Em Como ler literatura, Terry Eagleton vai mostrar como ler literatura utilizando diversos clássicos, principalmente ingleses, e suas análises. 

A escrita é bem acessível, mas a edição me incomodou um pouco e por isso a leitura ficou um pouco arrastada, diferente do que aconteceu em Para ler romances como um especialista.

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A literatura Greco-latina

A literatura Greco-latina é o primeiro volume do box História da literatura ocidental de Otto Maria Carpeaux, na edição da editora Leya. E me ajudou com a leitura de tantos poemas épicos e mitológicos.

Utilizo a obra para consulta a livros específicos, mas também estou lendo a obra inteira na ordem. 

Muitos livros que o autor comenta, eu nunca ouvi falar, mas há aqueles sobre os quais já vi outros autores citando. E assim os livros vão conversando.

E quando percebo que muitos críticos mencionam um determinado autor, coloco ele na minha wishlist para conhecer.

Foi assim que descobri Sir Gawain e o cavaleiro verde e Nibelungos por exemplo, que já estão no meu radar para serem lidos.

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Além desses, li e estou lendo vários outros livros e vou falando sobre eles em outros posts ou em um post resumão como este no final do ano.

O que você achou das minhas leituras? Já leu ou pretende ler algum deles?


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Como superar seus limites internos

Em “Como superar seus limites internos”, steven Pressfield mostra oque é a Resistência e como ela atua de forma a nos impedir de viver a vida que queremos e merecemos. Além disso, ele nos mostra como combatê-la e como isso é bom para a nossa inspiração e criatividade.

Todos os dias é assim: preciso sentar e escrever, mas quando dou por mim, estou com diversas abas abertas no navegador e esqueci totalmente do que deveria fazer.

Sei que você vive o mesmo. Vai me dizer que você senta para ler ou estudar  e se concentra de imediato?

Sabe porquê isso acontece? 

Por causa da Resistência.

Como parar de procrastinar?

A resistência te impede de fazer as coisas. Ela não quer que você cresça, que trabalhe ou estude.

A Resistência, quer que você fique perdido nas várias páginas da internet, ou que eu fique largada no sofá maratonando uma série.

Vale tudo, menos fazer aquilo que vai nos levar a uma vida melhor, a vida que queremos e merecemos. E é assim que você procrastina.

Na minha vida, ela surge, principalmente, em forma de procrastinação, mas também como problemas de saúde, em forma de julgamento e crítica. Mas ela tem muitas outras caras.

Então, como parar de procrastinar?

Como superar seus limites internos: Aprenda a vencer seus Bloqueios e suas Batalhas Interiores de Criatividade

Como superar seus limites internos

Em “Como superar seus limites internos: Aprenda a vencer seus Bloqueios e suas Batalhas Interiores de Criatividade” de Steven Pressfield, descobri as armas que devo usar para domar a Resistência e como parar de procrastinar.

Pressfield é escritor best-seller e também roteirista, mas até ser sucesso de vendas teve que lutar muito contra a Resistência.

Entre seus roteiros está “Lendas da vida” (The Legend of Bagger Vance, 2000), dirigido por Robert Redford e estrealdo por Matt Damon, Will Smith e Charlize Theron.

Na verdade, a primeira edição do livro foi publicada em 2005 com o título “A guerra da arte: supere os bloqueios e vença suas batalhas interiores de criatividade”

Desde então, se tornou uma “bíblia” para pessoas que trabalham com criatividade, como eu: escritores, artistas em geral.

A nova edição, publicada pela Cultrix, de 2021, conta 198 paǵinas, folhas amarelas e ótima diagramação.

A tradução é de Gilson César Cardoso de Souza. O préfacio é da profª Lúcia Helena Galvão e a introdução escrita por Robert McKee.

O livro é dividido em três partes.

  • Na primeira, Pressfield se debruça sobre a Resistência. A identifica como inimiga da criatividade e mostra as diversas formas com que ela se manifesta em nossas vidas.
  • Na segunda parte, o autor nos mostra como lidar com a Resistência, isto é, se Profissionalizando. Para isso ele faz distinção entre amador e profissional.
  • Por último, Steven Pressfield foca na inspiração. Assim, quando você reconhece a Resistência e luta contra ela, você se torna um profissional e com isso você sempre terá ideias, sempre estará inspirado para produzir.
Cartão do Readwise sobre “Como superar seus limites internos”

No canal da Nova Acrópole, no Youtube, tem um mini curso sobre o livro. Vale a pena conferir também!

Lidando com a Resistência

A Resistência é tão poderosa e traiçoeira, que levei quatro meses para ler este pequeno livro. A primeira parte, justamente a parte que fala sobre ela, foi a mais difícil para mim. Fiquei meses sem pegar no livro.

No entanto, estou sempre passeando pela minha estante e tem sempre um livro que me chama e ele me chamou de novo.

Terminei de ler em uma sentada.

Foi aí que entendi que a Resistência não queria que eu conhecesse seus segredos e como combatê-la. Entendi que a luta contra a Resistência é constante. Ela sempre dá um jeito de aparecer.

Assim, a única forma de vencer a Resistência, que pode aparecer como procrastinação, é se colocar em ação.

No meu caso, a única forma é sentar em frente ao computador, abrir o Google docs e começar a escrever, mesmo que seja algo sem sentido.

É assim que dou uma rasteira nela, dou um drible. E olhe que não entendo nada de futebol!

Porém, neste exato momento em que estou aqui escrevendo este texto, estou lutando contra a Resistência e a procrastinação, com todas as minhas forças. Mas, pelo menos por hoje, posso dizer que eu venci a luta.

Comecei a escrever este texto para o Instagram. A intenção era apenas fazer uma legenda de uma frase. (Olha a Resistência aí!)

Mas o simples fato de sentar e começar a escrever, fez com que ela se retirasse e as ideias, as palavras surgissem. E o resultado foi um post para o Instagram e este outro texto que você está lendo.

Por isso, saiba que você não está só nesta guerra contra a Resistência, contra a procrastinação.

Todos lutamos contra a Resistência desde a hora em que acordamos até a hora em que vamos dormir. Às vezes, até durante os sonhos. O importante é lutar e não desistir.

Se você ceder à Resistência e continuar a procrastinar, nunca vai realizar seus sonhos. Não existe fórmula mágica que te ensina como parar de procrastinar.

O tão sonhado segredo consiste em se “obrigar” a fazer. Quando você se coloca em ação, ela perde força e você consegue fazer o que tem que fazer. E é assim, que você vence a luta diária.

Como você vai lutar contra a sua Resistência HOJE???


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Encaixotando minha biblioteca, de Alberto Manguel

Encaixotando minha biblioteca de Alberto Manguel apresenta uma série de textos que o autor fala da relação com a sua biblioteca, com seus livros. Além disso, fala sobre o papel do escritor, a importância das bibliotecas nacionais, o ofício do tradutor entre outros temas ligados à literatura.

[…] os livros contém a possibilidade de nos guiar, graças à experiência e ao conhecimento de outras pessoas, oferecendo-nos a intuição de um futuro incerto e a lição de um passado mutável. (p. 160)

Em  “Encaixontando a minha biblioteca”, Alberto Manguel apresenta textos que giram em torno do tema biblioteca.

Manguel inicia falando como foi criando sua biblioteca e as mudanças que ela sofreu ao  longo das mudanças pelas quais ele também passava.

Para o autor, uma biblioteca é uma autobiografia de seu dono. Na verdade, Manguel teve várias bibliotecas, já que estava sempre se mudando por causa do trabalho do pai. 

Livro Encaixotando minha Biblioteca, Alberto Manguel
Livro Encaixotando minha Biblioteca, Alberto Manguel

E então, ele começa a fazer várias digressões a partir do encaixotamento de sua biblioteca. Para ele, apesar de o ato de desencaixotar os livros ser um criativo, também é um exercício de esquecimento.

Ao longo das digressões que o livro traz, Manguel toca em pontos como:

  • a criação literária;
  • memória;
  • a crença de que o autor o sofrimento é a raiz da criação literária e ele tenta identificar onde começou essa crença.
  • perda de bibliotecas, como a de Alexandria;
  • o poder da linguagem;
  • a crença no poder da linguagem;
  • tradutores;
  • experiência de leitura;
  • o valor do dicionário;
  • a participação dos livros na fundação de nações;
  • importância e papel de uma biblioteca Nacional;
  • a literatura representa algo para a sociedade;
  • como nasce um leitor.

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O livro é repleto de referência a autores e livros, como a Bíblia, Dickens, Dante, entre vaŕios outros. Sem falar nos diversos trechos poéticos e naqueles que nos incitam a refletir.

[…] a literatura, melhor que a vida, proporciona uma educação no campo da ética e permite o crescimento da empatia, essencial para que a pessoa participe do contrato social. (p. 167)

Além de falar de sua relação com sua própria biblioteca, Manguel também fala da relação que tem com as bibliotecas públicas. Achei interessante e me identifiquei quando ele fala que é fascinado por elas, mas odeia o fato de que não pode riscar seus livros.

O consolo é fundamental. Os objetos consoladores em minha mesinha de cabeceira são (sempre foram) livros, e minha biblioteca era, ela própria, um local tranquilo de consolo e reconforto. (p. 66)

Sinto exatamente isso. Antes, quando a minha biblioteca tinha poucos livros, ela ficava em meu quarto, ao lado da minha cama.

Mas quando o espaço ficou pequeno, tive que criar um espaço para acomodá-la e, para mim, é o melhor lugar da casa. E quem me visita também sente o mesmo. Talvez não imagine que seja por conta dos livros…

Mesmo assim, ainda carrego livros pela casa, principalmente para o quarto e alguns até dormem comigo.

Se os livros são nossos registros de experiência e as bibliotecas nossos depósitos de memórias, um dicionário é nosso talismã contra o esquecimento. (133)

Este é o tipo de livro para se ter na cabeceira e sempre rever as marcações ou mesmo reler do início ao fim. É um livro curto, 175 páginas, de boa diagramação, capa flexível e linguagem fluida.

Portanto, se você ama livros, biblioteca, literatura, prepare uma xícara de café ou de chá, ou até mesmo de chocolate quente, sente-se em um lugar confortável e sente-se para ouvir (ler) as digressões de Manguel. O resultado será mais amor aos seus livros, à sua biblioteca e um quentinho no coração.

Se desencaixotar um livro é audacioso ato de renascimento, encaixotá-lo é um sepultamento […] (42)

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Paris é uma festa, de Ernest Hemingway

Paris é uma festa é uma reunião de memórias de Ernest Hemingway da primeira época em que viveu em Paris.

Ernest Hemingway

Para quem ainda não conhece, Ernest Hemingway foi um escritor estadunidense, que começou a escrever aos 18 anos. Se alistou para lutar durante a Primeira Guerra Mundial, na qual foi ferido e condecorado.

Ernest Hemingway, Paris é uma festa
Ernest Hemingway

Ao retornar aos EUA trabalhou como repórter e depois voltou para a Europa. Durante os anos 1920, fez parte do grupo de expatriados americanos em Paris.

Hemnigway recebeu o prêmio Nobel de literatura em 1954 e faleceu em 1961.

Paris é uma festa

Naquela época, sua vida era, então, muito simples. Como ele diz nos textos, pobre mesmo. Hemingway ainda não havia escrito um grande romance. Logo, não era reconhecido como grande escritor, embora outros escritores com quem se relacionava já viam o seu talento.

A vida que Hemingway compartilha, através dos textos de Paris é uma festa, é de uma vida simples, humilde, que remonta a uma época em que ele e a esposa viviam contando moedas, economizando refeições. Mesmo assim, ele tinha boas relações com outros escritores, como: Gertrude Stein, Ezra Pound, Sylvia Beach, James Joyce, Scott Fitzgerald, entre outros. 

Paris é uma festa, de Ernest Hemingway
Paris é uma festa, de Ernest Hemingway

No entanto, Hemingway se punha a escrever todos os dias. Acordava, lia o jornal, ia a um café, pedia um café-crème e então, começava a escrever.

Voltei a escrever, entrei a fundo na história e me perdi nela. Agora quem a escrevia era eu; o conto não escrevia mais a si próprio, de modo que não tornei a levantar a cabeça. Esqueci-me do tempo, do lugar em que me encontrava e nem sequer mandei vir outro rum Sam James.

Ele compartilha sua forma de trabalhar e até dicas de como escrever. Além disso, também há comentários seus sobre o trabalho de outros escritores, como: Dostoiévski, Katherine Mansfield, Tolstoi, Fitzgerald.

Hemingway conta que tinha o hábito de ler seus contemporâneos, mas depois isso mudou. Ele também tinha o hábito de passear pela cidade, assistir (e apostar) corrida de cavalos e esquiar.

Paris é uma festa é uma ótima recomendação para quem escreve ou deseja ser escritor, mas igualmente recomendado para os amantes da literatura.

Depois de escrever um conto sentia-me sempre vazio, e, simultaneamente, triste e feliz, como se tivesse acabado de me entregar ao amor físico.

Os textos que mais gostei foram:

  •  “Miss Stein pontifica”, sobre como começou a amizade com G. Stein;
  • “Evan Shipman no Lilas”, relato de seu encontro com Evan Shipman e também é o que ele mais fala sobre livros de outros autores; 
  • “Scott Fitzgerald”, narra seu primeiro encontro com Fitzgerald e também uma viagem com ele; 
  • “Os falcões não partilham sua presa”, sobre a relação de Scott e Zelda Fitzgerald; 
  • “Uma questão de medidas”, narra um episódio engraçado sobre uma particularidade de Fitzgerald.
  • “Paris continua dentro de nós”, em que ele relata as mudanças que a cidade e sua relação com ela vão sofrendo.

Em resumo, alguns textos gostei mais, outros menos. O “Scott Fitzgerald” me fez passar raiva. Até então, do Hemingway, eu só havia lido O sol também se levanta e foi um dos poucos livros de que não gostei. Tentei relê-lo há pouco tempo e não rolou. Apesar disso, ainda quero ler O velho e o mar.

Não posso deixar de comentar que a edição que li da Editora Bretrand, traz um pequeno álbum de fotos e tem tradução de Ênio Silveira.

Talvez me fosse possível escrever sobre Paris longe de Paris, assim como em Paris conseguia escrever sobre Michigan. Ignorava que ainda fosse cedo demais para isso, pois não conhecia Paris suficientemente bem. Mas tudo acabaria dando certo.

Eneida, Virgilio

Eneida é uma das grandes epopeias da literatura mundial. Portanto, não poderia estar de fora do meu projeto de leitura da literatura mundial em ordem cornológica.

Neste post não trarei uma resenha. Eneida é uma obra clássica e por isso abundante em conteúdo sobre ela.

A minha intenção é apenas compartilhar minha experiência e leitura, quais os conteúdos que consultei sobre a obra e apresentar o enredo do poema.

Eneida, Virgilio
Eneida, Virgilio
Eneida, Virgilio
Eneida, Virgilio

Sobre Eneida

O livro foi publicado em 19 a.C logo após a morte de Virgilio. Além disso, em minhas leituras sobre Eneida, descobri que a obra ficou inacabada e que Virgilio tinha intenção de destruir o manuscrito.

Embora ler epopeias não seja algo fácil, eu não senti difculdade para ler Eneida e acredito que isso se deva ao fato de estar lendo obras em ordem mais ou menos cronológica.

Já li Ilíada e Odisseia, algumas tragédias de Ésquilo, Sófocles e Eurípedes. Assim, a cada leitura vai ficando mais fácil de ler poemas.

Além de Eneida, Virgilio também escreveu Bucólicas e Geórgicas. Embora tenha sido publicada pelo imperador em 19 a.C, Eneida começou a ser escrita em 29 a.C. A epopeia contém 12 cantos.

Apesar de o gênero epopeia já estar decaindo quando Virgilio escreveu Eneida, esta tornou-se um sucesso, marcando presença em diversas esferas da vida romana da época de sua publicação.

Desta forma, Eneida torna-se para os romanos, aquilo que Ilíada foi para os gregos. Para além disso, assim como Virgilio usou Ilíada e Odisseia como modelo, Eneida também serviu de modelo para outras obras, como:

  • A Divina Comédia, de Dante Alighieri (estou lendo e em breve venho contar a minha experiência de leitura);
  • Orlando Furioso, de Ludovico Ariosto;
  • Paraíso Perdido, de John Milton;
  • Os Lusíadas, de Camões;

As obras influenciadas por Virgilio também estão no meu projeto de leitura e devem aparecer por aqui.

De maneira bem resumida, Eneida apresenta a narrativa de Eneias, uma figura mítica, desde a saída de Troia até chegar à terra que viria um dia a se tornar Roma. Por isso, é frequente que tratem a obra como mito fundador de Roma.

Assim como em Ilíada e Odisseia, Virgilio traz o mitos para sua Eneida. Os deuses interefrem nos destinos das pessoas. Juno e Vênus, mãe de Eneias, estão a todo momento tramando planos. Juno odiava os troianos, então queria o seu fim. A ela não bastou a queda de Troia. Já Vênus, fazia de tudo para proteger o seu filho.

Eneias passa por diversas aventuras e desventuras até conseguir chegar à Itália. Tudo por culpa de Juno, apesar de, durante a leitura, a gente ficar sabendo que tudo estava de certa forma, determinado para acontecer.

A parte que mais me incomodou foi sobre a guerra com os rútulos. As descrições da batalha me lembraram muito a Ilíada. Era como se estivesse, novamente, assistindo a um filme.

Outro fato que achei interessante foi ver os gregos a partir de uma outra perspectiva, a do inimigo. Me refiro à invasão e tomada de Troia pelos gregos que resutou na fuga de Eneias e outros troianos.

Textos de apoio para Eneida

Por ser um livro clássico, há uma vastidão de materiais sobre Eneida. Nesse ponto, o Google é nosso melhor aliado.

No entanto, como também estudo literatura, tenho alguns livros na estante nos quais encontrei conteúdos sobre Eneida. Alguns estão esgotados, mas os que não estiverem, deixarei um link , caso queira adquirir.

História da literatura ocidental vol1, de Carpeaux
História da literatura ocidental vol1, de Carpeaux
Virgilio em Gênio, de Harold Bloom
Gênio, de Harold Bloom
The Reader's Companion to World Literature
The Reader’s Companion to World Literature
Eneida em O livro da literatura
O livro da literatura

A edição em que eu li Eneida

A edição que usei é da Editora 34, com tradução de Carlos Albeto Nunes e organização, apresentação e notas de João Angelo Oliva Neto. É uma edição de bolso, com folhas brancas, o que incomoda um pouco.

No início de cada canto é apresentado um resumo do que será lido e no final do livro tem mais algumas informações sobre Virgilio, sobre o tradutor e o organizador, bem como de Eneias. O livro é recheado de notas que ajudam na compreensão.

Portanto, se você pensa em um dia ler Eneida, saiba que não há o que temer. Escolha uma boa edição e aproveite a leitura. Em meu Instagram tem um post com algumas passagens que acho incríveis. Não deixe de conferir!